Texto de Benjamim Taubkin

O trabalho que Alessandro Penezzi e Alexandre Ribeiro apresentam neste projeto se situa em uma importante corrente da música brasileira, aquela que vem do choro, mas que passa também por outros universos da nossa música, algo bem característico dessa cultura que tem dificuldade em aceitar os limites impostos pelas fronteiras de gêneros e épocas.

Aqui, de certa forma, passado e presente coexistem. E nas mãos desses ainda jovens músicos aponta um futuro consistente e criativo – nas interpretações de ambos, mas também nas composições de Penezzi.

Em vários momentos desse concerto se encontra algo tão característico dessa geração, a excelência virtuosística. Mas há também, em perfeito equilíbrio, instantes de contemplação e de pura canção.

Essa é uma música de músicos. Estranho um pouco, dito desta forma.
Mas é que ela é pautada apenas no respeito que cada artista tem aos grandes compositores, à história de seu instrumento, aos que os antecederam e aos contemporâneos que inspiram admiração e afeto. Aqui não acontecem as acomodações ditadas por interesses ou tendências vindas de outros campos… é a música que procura se afirmar.

Em relação a essa linhagem me vem à cabeça nomes de Abel Ferreira, Garoto, Paulo Moura, Rafael Rabello, Paulo Sérgio Santos, Proveta, Dilermando Reis. Cada um, em seu tempo, vem contribuindo com sua originalidade para o desenvolvimento dessa arte.

Penezzi e Ribeiro – quase xarás em seus primeiros nomes – são continuadores exemplares dessa tradição. – Benjamim Taubkin

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