Penezzi é um músico que impressiona pela versatilidade. Pra começar toca tudo: violão, cavaquinho, bandolim, violão tenor e até flauta. Pelo menos esses eu já vi, o que não quer dizer que a lista pare por aí.

Como violonista tem um repertório impressionante. É capaz de tocar dias inteiros sem repetir música. Passeia por todos os gêneros, estilos e tradições com grande desenvoltura. Mas se eu tivesse que apontar nele uma característica que o destaca de outros grandes violonistas contemporâneos de nosso país eu não teria dúvida: sua formação sólida baseada na linguagem do choro. Vem daí a marca inconfundível de seu violão despojado e solto.

Este CD, embora não seja dedicado exclusivamente aos choros de Penezzi, mostra com clareza o quanto, direta ou indiretamente, o gênero percorre sua obra. Nos estudos, ficam evidentes as referências a Villa-Lobos e Radamés, ícones da criação violonística brasileira. Nos sambas, choros e valsas, sentimos o quanto João Pernambuco, Garoto, Baden, e até o venezuelano Antonio Lauro estão presentes e inspiram o compositor Penezzi.

Fico muito feliz sempre que vejo o caminho da modernidade de um criador reverenciar nossos mestres eternos, nossa ancestralidade sonora. Ouvindo Penezzi e sua música, percebemos que as surpresas e novidades aparecem emolduradas pela mais rica tradição da música brasileira e do violão do mundo.
Este CD retrata com fidelidade o grande violonista e compositor Alessandro Penezzi.

Mauricio Carrilho
Rio de Janeiro, 2 de abril de 2013

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