Texto do CD Velha Amizade (Proveta & Penezzi)

Na música, tal como no futebol, o encontro de craques não é garantia de um conjunto perfeito. Mais que a soma de individualidades, há que se ter generosidade, entrega, entrosamento, comunhão.

Velha amizade celebra o encontro entre dois dos maiores instrumentistas do Brasil, Nailor Proveta e Alessandro Penezzi. E aqui a simbiose dos grandes encontros musicais está presente da primeira à última nota.

Proveta e Penezzi são dois artistas raros. Por um lado, tocam com a naturalidade de quem fala, tocam com tal virtuose que as ideias musicais parecem transbordar. Por outro, não deixam a música derramada, não há nota jogada fora. Acima de tudo, porém, prevalece a generosidade. Em muitos momentos do disco, ouvimos um Proveta endiabrado, contagiado pela vibração e a energia do Penezzi. Na mesma proporção em que vemos o Penezzi usando a paleta de mil cores que é a assinatura do Proveta. Tudo na maior alegria, tudo no maior equilíbrio.

Poderíamos ressaltar a modernidade que emana da música de Proveta e Penezzi, em um repertório totalmente autoral e inédito, na inquietude pela busca das melodias mais sinuosas, das harmonias mais surpreendentes. Poderíamos também falar da tradição que perpassa todo o conceito da música deles.

Afinal, compondo ou interpretando são dois músicos que olham para frente sem necessidade de brigar com as heranças do passado. Além de moderno ou tradicional, porém, este é um encontro extemporâneo. A velha amizade celebrada neste disco é ancestral, é perene.

Em tempos de estiagem, Proveta e Penezzi mostram o caminho onde a música brasileira jorra com abundância.

Paulo Aragão (compositor, arranjador e violonista do Quarteto Maogani)

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